Passei minha infância inteira buscando a aprovação dos mais velhos.Meus pais,meus avós,meus tios,meus professores...
Esperava elogios,sorrisos,abraços.Mas a única coisa que me restava era sempre falar só no topo de uma árvore.Os adultos sempre ocupados demais.
Meus livros eram minhas melhores viagens.
Foi daí que comecei a usar minha imaginação para me entreter - e deu certo.
Mas como qualquer criança,sentia falta de ser vista como tal.
Então,depois de tentativas frustradas,me convenci que não era infância o que vivia,mas transição para a realidade que ainda não enxergava.
Então,não tive tempo de corresponder a idade,cresci comigo mesma.
Já sabia o que eram ataques verbais. Gritos impiedosos e ofensivos e lutas corporais agressivas antes de saber empinar uma pipa.
Aprendi o que é sofrer abuso e enfrentar a polícia.
Entrei em uma delegacia por causa de um membro de uma raça que eu tanto admirava – os adultos.
Isso enquanto achava que ainda era criança.
(...)
Na verdade,estou tentando hoje ser a criança que não fui quando pude.
Pode me chamar de boba.
Hoje eu sei o que eu quero - não inclui aprovação de homens.

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